segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O Processo de Ensino-aprendizagem do Português no Contexto Multicultural Moçambicano

O Processo de Ensino-aprendizagem do Português no Contexto Multicultural Moçambicano

Como Citar
Velasco, M., & Timbane, A. (2018). O Processo de Ensino-aprendizagem do Português no Contexto Multicultural Moçambicano. Revista Internacional Em Língua Portuguesa, (32), 99-120. https://doi.org/10.31492/2184-2043.RILP2017.32/pp.99-120

Resumo

O fracasso escolar dos alunos provenientes das zonas suburbanas e rurais está no centro da inquietação deste trabalho, que tem como motivação a constatação da imposição histórica do português como língua oficial e de ensino em Moçambique, bem como a falta de valorização e prática das línguas nacionais de origem bantu, num país essencialmente multilíngue e multicultural. O objetivo foi identificar as possíveis causas que levam os alunos ao insucesso escolar. Em termos metodológicos, a revisão bibliográfica e da Constituição da República de Moçambique constituíram a base de sustentação deste trabalho. Concluímos que a literatura nestas línguas deve ser criada e divulgada. Além disso, a alfabetização nestas línguas deve ser uma prática social obrigatória, a fim de reduzir a estranheza e o preconceito linguístico. Dessa forma, os alunos poderiam produzir textos relacionados à sua vida social.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O CRIOULO DA GUINÉ-BISSAU É UMA LÍNGUA DE BASE PORTUGUESA? EMBATE SOBRE OS CONCEITOS

abrindo debate

Resumo


A questão terminológica do termo pidgin surgiu pela primeira vez em 1850 (TARALLO, ALKMIM, 1987) para se referir a uma língua que surgiu da mistura entre o chinês e o inglês. Do pidgin surgiu o crioulo, uma língua natural que se formou em situações de contato linguístico (HLIBOWICKA-W?GLAR, 2007). Os crioulos se formaram em espaços estrategicamente dominados por exploradores europeus. Na Guiné-Bissau se formou crioulo que é uma língua não oficial embora fosse uma língua franca ou veicular para a maioria dos guineenses (COUTO, 2002). Neste trabalho tenta-se questionar se o crioulo da Guiné-Bissau possui uma base portuguesa. Nesta pesquisa discute-se os conceitos de base de uma língua e os conceitos de crioulo e pidgin. Utilizando o método comparativo a pesquisa reflete a questão base portuguesa comparando com línguas africanas. Utilizando também o método bibliográfico se conclui que o crioulo da Guiné-Bissau precisa ter nome. Os dados mostram que o crioulo da Guiné-Bissau possui uma base de línguas bantu tendo emprestado algum léxico do português. Na pesquisa concluiu-se que o léxico é o mais evidente em todas as línguas, mas a base gramatical procura se conservar. O crioulo é uma língua africana que precisa de ser classificada tal como as outras línguas, havendo necessidade da produção de livros, dicionários e gramáticas que descrevem e demonstram as especificidades da língua. Seria necessário que ela seja oficializada para que seja língua de ensino não apenas nas escolas e universidades guineenses, mas também na vida da burocracia.

sábado, 10 de novembro de 2018

A COMPLEXIDADE DA ESCRITA EM CONTEXTO MULTILÍNGUE: METODOLOGIAS E ESTRATÉGIAS DO ENSINO

Revista Interfaces

A escrita visa registrar a memória das informações e pensamento e nossa vida tem dependido dela. A escrita neutraliza a variação (CAGLIARI, 2002, 2009a,b), não representa a fala (MARCUSCHI, 2001) e segue um Acordo  Ortográfico aceite dentro da Comunidade (FARACO, 2012). Sendo a escrita, uma modalidade mais importante no mundo moderno questiona-se as razões pelas quais os alunos do 3º ciclo (6º e 7º anos) cometem erros básicos? A formação dos professores é deficiente no ensino da ortografia; a metodologia não permite uma aprendizagem sólida; os principais erros decorrem da influência das diversas línguas bantu. A pesquisa identifica os principais erros e procura formas de melhorar a qualidade da escrita. Para coleta recolheu-se 332 redações de três escolas do 3º ciclo cuja temática era relato da vida. A título de exemplo, o artigo apresenta e analisa uma redação e registra os erros recorrentes chegando a concluir os erros surgem da fraca formação dos professores, assim como da metodologia do ensino que não se reinventa e nem diversifica as atividades no ensino da escrita.


terça-feira, 30 de outubro de 2018


Diversidade Cultural, Territórios e Biodiversidade Apresentamos nesta 79ª edição do Boletim do Observatório da Diversidade Cultural, nove textos que dialogam com questões relacionadas a Territórios e Biodiversidade. Os trabalhos foram selecionados a partir do Edital de Publicação de Textos do ODC e agradecemos a todos os inscritos e selecionados.

Com enfoque em uma experiência africana, o texto A diversidade cultural em África: o caso do casamento tradicional no grupo étnico tsonga do sul de Moçambique, os autores Alexandre António Timbane e Florência Paulo Nhavenge discutem como o termo cultura se integra no espaço do grupo étnico tsonga e como o processo da aculturação proveniente da Europa influencia na mudança das práticas sociais.