sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Primeira Revista Electrónica da Universidade Eduardo Mondlane


Armindo Ngunga
Interferencias de Línguas Moçambicanas em Português falado em Moçambique

Resumo


RESUMOQuando dois povos entram em contacto durante um período considerável, como é o caso dos portugueses e moçambicanos, entre os vários aspectos, as suas línguas acabam por se influenciar mutuamente (Sapir 1921) através de aparecimento de alguns traços de uma língua no discurso de falantes da outra língua. Em literatura linguística, se o traço linguístico de uma língua que aparece na outra for generalizado, este fenómeno, chama-se empréstimo, mas se for esporádico e (quase) individual, chama-se interferência (Ngunga 2009), pois o processo de aquisição de uma língua não materna implica utilização dos órgãos do aparelho fonador e de processos psicológicos formatados para uso na produção de sons e outras estruturas da língua materna. Este exercício pode resultar no que os professores de línguas chamam de “erros” resultantes de transferência de estruturas da língua materna para a língua alvo (Cardoso 2007). Baseado no método de observação que consistiu na escuta, recolha e sistematização de enunciados produzidos por moçambicanos ao longo de cerca de três décadas, este artigo visa estudar as interferências de línguas moçambicanas na língua portuguesa nas áreas fonética, fonológica, sintáctica e semântica. Os resultados desta investigação mostram que o surgimento inadvertido de traços das línguas moçambicanas no Português pode afectar o processo de comunicação nesta língua. Por isso, o texto sugere algumas estratégias para ajudar o professor a encontrar possíveis exercícios para minimizar as dificuldades de aprendizagem de Português como língua não materna por alunos moçambicanos.
Palavras-chave: interferência, aquisição de língua, língua materna, língua não materna, língua bantu, língua portuguesa

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